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As úlceras encontram-se
frequentemente infectadas, sendo inúmeras as
estirpes bacterianas que as podem colonizar. Estudos
bacteriológicos sistemáticos identificaram
uma média de 5,8 estirpes aeróbias salientando-se
os Pro-teus, a Escherichia Coli, a Klebsiela, as Pseudomonas
e diversos géneros de Estreptococos e Estafilococos.
No que respeita aos anaeróbios identificam-se
frequentemente Bac-teroides, Peptococos e diversas espécies
de Clostridium (Quadro II).

Quadro II - Estirpes
bacterianas encontradas frequentemente nas úlceras
do pé diabético
As infecções podem
assumir um caráter superficial, limitadas à
pele e tecido celular subcutâneo, mas noutras
circunstâncias podem estender-se em profundidade,
envolvendo as aponevroses, os tendões e as estruturas
osteoarti-culares, ocasionando destruições
e compromissos funcionals irremediáveis. A extensão
ao osso ou às articulações constitui,
quase sempre, um sinal ominoso que impõe o recurso
à remoção cirúrgica da estrutura
atingida.
Uma forma de apresentação da úlcera
neuropática do pé e muito sugestiva é
o malperfurante plantar, que se localiza caracteristicamente
ao nível da 1a, 2a ou 5a articulação
metatarso-falângica, e que tem um curso arrastado
e uma cicatrização muito difícil.
b) Fleimão diabético
(pé séptico)
Em determinadas circunstâncias,
por diminuição das resistências
do hospedeiro, ou exaltação da virulência
da flora bacteriana local, desenvolvem-se quadros súbitos
e graves de infecção, que rapidamente
se estendem em profundidade e em sentido proximal, provocando
extensa necrose tissular, designados por fleimão
diabético ou pé séptico.
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É
um quadro imprevisível, que cursa rapidamente,
é acompanhado pela formação de
vesículas cutâneas e grande exsudação,
ocorrendo simultaneamente trombose extensa dos vasos
da microcirculação que vai contribuir
para a gangrena digital e perda de tecidos. A infecção
estende-se pelo tecido celular subcutâneo, propaga-se
pelas bainhas tendinosas e pela circulação
linfática, disseminando-se por via sistêmica.
Cursa, geralmente, com febre elevada, desidratação
e sépsis e é causa frequente de amputações
ou até da morte do doente (Figura l). O seu controlo
exige medidas urgentes, que se iniciam pela correção
dos desiquilíbrios metabólicos ou hidroelectrolíticos,
passando por uma anti-bioterapia intensiva e culmina,
não raras vezes, na amputação do
membro, como medida salvadora de uma vida em risco.

Fig. 1 - Extensa destruição
tecidular consequência de um fleimão diabético
c) Gangrena isquémica
A gangrena isquémica ocorre
como consequência da progressão da doença
arterial oclusiva, na ausência de infecção,
por isso recebe também a designação
de gangrena "seca". Porque na diabetes predomina
o envolvimento de vasos periféricos, a gangrena
atinge frequentemente os segmentos mais distais, iniciando-se
regra geral, por um ou vários dedos. Pode ser
precedida de queixas de claudicação intermitente,
ou mesmo de dor em repouso, mas o que é verdadeiramente
característico, é a boa tolerância
da situação por parte do doente, nomeadamente
a ausência de dor, ou de sintomatologia dolorosa
mínima, tradutoras da neuro-patia sensitiva concomitante.
Tal circunstância permite
que em determinadas circunstâncias seja possível
adoptar uma atitude terapêutica expectante, conduzida
com o objectivo de se vir a obter uma auto-amputação
do dedo ou dedos atingidos e dispensar uma actuação
cirúrgica.
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