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INTRODUÇÃO
A diabetes é uma doença crónica
caracterizada por um metabolismo anómalo dos hidrates de
carbono, do qual resultam elevados níveis de glicemia no
sangue, acompanhada por importantes complicações neurológicas
e vasculares, a médio e longo prazo. Não é
uma entidade nosológica uniforme, mas um conjunto de tipos
que diferem na etiologia e apresentação clínica.
A forma de diabetes reconhecida
há mais tempo é a diabetes Mellitus insulino-dependente
(IDDM), outrora designada por diabetes juvenil, que
aparece descrita no Papiro de Ebers, aproximadamente
1500 anos A.C. A descoberta da insulina por Banting
e Best em 1922 veio a proporcionar um tratamento quase
"miraculoso" deste tipo de diabetes, visto
ter transformado uma doença fatal numa enfermidade
que embora seja tratável, está ainda longe
de ser considerada curável.
Os esforços e investimentos dedicados
à diabetes insulino-dependente desviaram a atenção
dos médicos e investigadores de uma forma mais
insidiosa, mas igualmente perigosa e extremamente comum,
que ameaça na actualidade assumir a forma de
uma autêntica pandemia e que recebe a designação
de diabetes não insulino-dependente (NIDDM).
Embora exiba as características de uma doença
hereditária, difere da diabetes insulino-dependente
pelo facto de se manifestar em idades mais avançadas
(acima dos 45 anos), é muitas vezes insulino-dependente,
o que se traduz em maiores necessidades de insulina,
ou surge num contexto de uma diminuição
da capacidade de segregar insulina suficiente para a
manutenção de um metabolismo normal da
glucose.1
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O significado e a importância individual
e social da diabetes advém das importantes complicações
que ocasiona, de carácter degenerativo, inciando-se 5 a 10
anos após o início da doença e que podem afectar
o olho (retinopatia) causando cegueira; o rim, resultando em insuficiência
renal: uma aceleração da aterosclerose dos vasos de
grande e médio calibre (doença macrovascular), com
riscos acrescidos de infarto do miocárdio ou acidente vascular
cerebral; e, finalmente, uma neuropatia periférica, associada
a uma arteriosclerose dos vasos de pequeno diâmetro, que predispõe
para problemas isquémicos e infecciosos das extremidades
que são causa de ulcerações, gangrena e amputações.
Com efeito, este é um campo muito próprio
e muito activo da Angiologia e Cirurgia Vascular contemporâneas.
Dados de informação provenientes
de fontes diversas referem que 10 a 15% dos diabéticos sofrem
uma amputação durante a sua vida e 40% sofrem uma
segunda amputação no decurso dos 5 anos que se seguem
à primeira; 60 a 95% das amputações dos membros
inferiores nos diabéticos são precedidas de uma lesão
crónica e mais de 50%;
das amputações não traumáticas do adulto
são efectaudas em diabéticos.2-6
As repercussões humanas e sócio-económicas,
directas e indirectas, destes factos, são enormes e difíceis
de contabilizar, projectando as complicações dos pés
diabéticos para o plano de um problema de saúde pública
de grande envergadura.
PATOLOGIA DO PÉ DIABÉTICO
a) Arteriopatia
O território aorto-ilíaco é geralmente poupado
no indivíduo diabético e a doença oclusiva
manifesta-se mais intensamente ao nível da femoral superficial-poplítea
e vasos tibiais, sendo a artéria peroneal a menos frequentemente
atingida.7
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