Figura 4

CONCLUSÃO

Os relatos preliminares de Roubin na Universidade do Alabama apontam para resultados além de satisfatórios no emprego de stents de carótida com morbi-mortalidade expressivamente inferiores à endarterectomia. A utilização do Doppler transcraniano revelou que a quantidade de material embolizado durante o procedimento transcutâneo é semelhante ao da cirurgia.5

Nossa primeira experiência, aliada aos resultados do grupo do Alabama, leva-nos a acreditar que uma nova perspectiva emerge no tratamento da doença aterosclerótica obstrutiva das carótidas nos pacientes de alto risco ou talvez até mesmo em casos rotineiros.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. North América Symptomatic Carotid Endarterectomy Trial Collaborators. Benefical effect of carotid endarterectomy in symptomatic patients with high-grade carotid stenosis. New Eng J Med 325: 445-53; 1991.
2. Clinical Advisory - Carotid endarterectomy for patients with asymptomatic internal carotid artery stenosis. National Institute of Neurological Disorders and Stroke; NIH; September 28; 1994.
3. SUNDT TM JR, MEYER PB, PIEGRAS DG, FODEE NC, EBER-SOLD NJ, MARSH WR.: Risk factors and operative results. In: Meyer FB (ed): Sundt 's Oclusive Cerebrovascular Disease, 2nd ed. Philadelphia, WB Saunders Co, pp 241-247; 1994.
4. WINSLOW CM, SOLOMON, CHASSIN MR, et al: The approprieteness of carotid endarterectomy. N Engi Journal of Med 318: 721-6; 1988.
5. SANJAVS. YADAV, MD, GARY S ROUBIN, MD, PHD, SRIRAN 1YER MD, JIRI VITEK MD, PETER KING MD, CHAKRI S. INAM-PUDI MD. NATALIYA PLYUSHCHEVA MD.PHD, RONALD LE-VINE MD, DENNIS DOBLAR MD, JAMES MOUNTZ MD. PHD: Percutaneous Treatment of Extracranial Carotid Atherosclerotic Disease with Baloon-Expandable Stent Placement: Preliminary Draft, June, 1995.

COMENTÁRIO

A primeira endarterectomia carotídea foi realizada em 1953, por De Bakey, sendo desde então a doença cerebrovascular de origem extracraniana intensamente estudada, principalmente por neurologistas, neurocirurgiões e cirurgiões vasculares. Estas últimas quatro décadas forneceram um grande conhecimento sobre os vários aspectos da doença carotídea, estando na atualidade muito bem definidos os critérios clínicos e terap6euticos a serem adotados.

A endarterectomia carotídea, que consiste na extirpação da lesão, mediante retirada da capa íntima e parte da túnica média do segmento arterial afetado, trata-se de técnica segura, sendo na atualidade o principal método terapêutico utilizado, possuindo um índice de morbi/mortalidade perfeitamente estabelecido. As complicações mais graves são as que atingem o sistema nervoso central. Felizmente essas complicações atingem, no máximo, de 2% a 3% dos pacientes. Os óbitos são raros e correspondem a 1% ou 2% dos casos, geralmente causados por infarto do miocárdio ou AVC.

A recidiva sintomática da estenose carotídea é rara, afetando 1%-3% dos pacientes tratados mediante endarterectomia , sendo, no entanto, a reestenose assintomática detectável em 10% dos pacientes controlados por métodos diagnósticos incruentos. Aproximadamente 50% dos casos são causados por fibrose miointimal, surgindo 12-24 meses após o procedimento cirúrgico.

As técnicas cirúrgicas endovasculares e a utilização de endopróteses intravasculares fez surgir uma nova possibilidade terapêutica para o tratamento das lesões vasculares, incluindo as que acometem as carótidas. Sabemos ainda que grandes centros de pesquisa dos países desenvolvidos vêm realizando estudos sérios, com a devida autorização dos órgãos sanitários destes países, a fim de verificar a real eficácia destes métodos na doença carotídea, bem como estabelecer a sua morbi/mortalidade imediata e a longo prazo.

Existe um consenso nos fóruns especializados, a nível mundial, de que seria prudente e ético aguardar a sedimentação das experiências que vêm sendo desenvolvidas nestes países, sendo lúcido não querer trocar procedimentos eletivos bem estabelecidos a nível mundial e que sabidamente dão bons resultados com baixos índices de morbidade e mortalidade, por novos procedimentos de duvidosa eficácia e durabilidade.

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