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Aproximadamente seis meses
mais tarde, Lexer, na Alemanha, deparou com problema de igual característica.
Um paciente de 69 anos, que tinha previaïnente sofrido uma lesão
da artéria axilar durante manobras para reduzir uma luxação
de ombro, desenvolveu uma lesão aneurismática neste vaso.
Após ter ressecado o aneurisma, constatou este cirurgião
que não era possível realizar uma anastomose término-terminal
entre os vasos subclávio e o braquial, já que a extensão
entre os mesmos alcançava um hiato de aproximadamente oito centímetros.
Retirando um fragmento da safena interna (magna), interligou a circulação
arterial do membro superior. Ainda que a anastomose tenha funcionado plenamente,
o paciente faleceu no quarto dia do pós-operatório. Submetido
a exame cadavérico, foi constatado que a anastomose era pérvia,
mas nos sítios onde foram aplicadas as pinças vasculares
havia presença de trombes(31).
Nos Estados Unidos da América do Norte, a
primeira descrição de uma correção cirúrgica
de um aneurisma no segmento poplíteo foi realizada por Berheim,
em Baltimore, em setembro de 1915. Um paciente de 43 anos de idade, do
sexo masculino, desenvolveu, num período de três meses, uma
tumoração na fossa poplítea direita, tendo uma história
clínica de positividade para sífilis. Durante o ato cirúrgico,
constatou que seria necessária uma extirpação de
aproximadamente 15 cm do leito arterial, já que o mesmo estava
lesionado e era impossível a execução de uma anastomose
artério-arterial. Retirando do mesmo membro um fragmento da safena
interna (magna), interpôs entre os extremos arteriais, restabelecendo
assim a integridade circulatória do membro(4)
(Figura 7).
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Fig. 6 - Fotografia
de Charles Claude Guthrie, colaborador de Carrel nas pioneiras pesquisas
vasculares |
Com o advento do raio X, descoberto por Roentgen
em 1895, foi dado um passo decisivo no arsenal diagnóstico das
afecções cardiovasculares e, desta forma, as medidas de
cunho terapêutico puderam atingir outros patamares. Assim é
que, em 1918, Cameron fez referência, pela primeira vez, à
utilização de sais de iodo como meio de contraste radiológico(5)
; em 1923, Sicard empregou, pela primeira vez num ser humano, um derivado
iodado de óleo de papoula (lipiodol) como meio de contraste vascular(40). |
Em períodos posteriores,
1927 e 1929, em Portugal, Egas Muniz e Reynaldo dos Santos, respectivamente,
visualizaram pela primeira vez o sistema carotídeo e a aorta através
de punções percutâneas(14,35)
(Figuras 8 a 14).

Fig. 7 - Representação esquemática
do método utilizado por Berheim para correção de
um aneurisma poplíteo utilizando um fragmento de safena autógena(4)
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Fig. 8 - Fotografia
de René Leriche, um dos cirurgiões vasculares mais notáveis
deste último século |
O pensamento grego já referendava no passado
que a guerra é a mãe de todas as modalidades de progresso.
A Segunda Guerra Mundial e a da Coreia trouxeram à tona a necessidade
de se criarem meios de restaurar a integridade do sistema cardiovascular
através de elementos proféticos, já que nem sempre
a utilização de material autógeno era suficiente
para a correção de lesões de grandes vultos ocorridos
neste sistema. Após esta segunda conflagração (2.453
lesões vasculares nas extremidades com 988 amputações
subsequentes), a necessidade de melhorar o treine técnico e desenvolver
substitutos vasculares tomou-se um imperativo da cirurgia vascular naquela
época. Neste período foi propagado que "um cirurgião,
um auxiliar e um cão já eram os ingredientes necessários
para o início das pesquisas vasculares em termos de restauração
circulatória".
Assim é que Jean Kunlin, em 1948, em Paris,
trabalhando com Leriche, publica, pela primeira vez, a sua experiência
concernente ao uso da safena magna (interna) como derivação
arterial (by-pass) para correção de um processo obstrutivo
arterial ao nível de coxa(29)
(Figura 15).
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