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As medidas que visam restaurar a continuidade vascular
tiveram inicio com a necessidade de se corrigirem quadros patológicos
(ex. aneurismas) ou mesmo traumas que tivessem comprometido a permeabilidade
circulatória. Desde então, a exclusão aneurismática
com subsequente reparo da continuidade vascular veio a constituir o cerne
das pesquisas cardiovasculares, e todo avanço alcançado
neste campo, nos últimos cem anos, teve seu inicio com esta dificuldade.
Deste modo, a estória do tratamento cirúrgico dos aneurismas
apresenta elo indissociável com a estória dos métodos
de restauração vascular.
O tratamento dos aneurismas arteriais tem sido praticado
desde os tempos mais remotos. No século IV, Antylly, cirurgião
romano, foi o primeiro a realizar uma intervenção sobre
um aneurisma, tendo praticado a ligadura próxima! e distal da artéria,
seguida da abertura do saco aneurismático e tamponamento da sua
cavidade. No século VI. Philadrius, na Macedônia. executou
pela primeira vez uma aneurismectomia com finalidade curativa. Nesta mesma
época. Aetius preconizava a ligadura e secção da
artéria próxima! ao aneurisma, seguida da abertura da sua
cavidade e da ligadura intrassacular do segmento distal da artéria.
Em período mais recente, Guillemeau. em l
594. preconizava a ligadura proximal da artéria junto ao aneurisma,
abertura da sua bolsa, remoção dos coágulos e tamponamento
da sua cavidade, deixando a ferida cicatrizar-se por segunda intenção.
Em 22 de julho de 1785. Desault. em Paris. e, em
2 de dezembro do mesmo ano. Hunter. em Londres, libaram a artéria
fcmoral. distante da lesão aneurismática, a fim de evitar
outras lesões vasculares na região adjacente à tumoração.
Graças ao seu caráter histórico, todas as ligaduras
arteriais distantes do aneurisma, numa porção proximal,
têm a denominação genérica de "operação
de Desault-Hunter" ou. para os anglosaxônicos. simplesmente
"operação de Hunter". A ligadura arterial distal
ao aneurisma foi executada pela primeira vez por Brasdor. em 1970. e popularizada
mais tarde por Astiey Cooper. em 1871.
Em 1810. Dubois iniciou o tratamento
dos aneurismas através de uma compressão gradual
dos mesmos, procurando. deste modo. evitar uma oclusão
total da circulação de maneira aguda, o que
levava, nesta circunstancia, em grande escala, à formação
de isquemia irreversível nas porções
distais ao tumor vascular.
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Em 1864. Moore preconizou a realização
do método denominado "filipuntura", o qual consistia
na introdução de uma quantidade de fios de prata no interior
da bolsa aneurismática com o objetivo de provocar a formação
de coágulos no seu interior. Em 1879, Corradi apresentou uma modificação
do método precedente, o qual nomeou de "filigalvanopuntura",
que era a passagem de uma corrente galvânica através do fio
metálico introduzido na cavidade aneurismática, ligando
a extremidade deste fio ao polo positivo de uma bateria e colocando o
pólo negativo sobre o aneurisma.
Em 30 de março de 1888, Rodolfo Maltas operou
um aneurisma traumático de braço, que havia subsistido ao
tratamento pela ligadura dupla, isto é, a ligadura da porção
proximal e distal da artéria, realizando pela primeira vez a "endoaneurismorratia".
que consistiu na sutura intrassacular da porção proximal
e distal da artéria.
Com o advento da antissepsia aliada ás aquisições
anestésicas, o cirurgião vascular foi tomando consciência
da importância de se realizarem intervenções que viessem
a restituir a integridade do leito circulatório, evitando, desta
maneira, as sequelas indesejáveis que decorriam da interrupção
vascular abrupta. No final do século passado. já começava
a lomar corpo o conceito de se manier a integridade. em oposição
ao conceito de remoção.
Em 1895, Zoege e, posteriormente. Murphy relataram
suas experiências concernentes à extirpação
de uma tumoração aneurismática decorrente de uma
fistula arteiovenosa. tendo os mesmos restaurado satisfatoriamente a corrente
circulatória. Nesta época, as pesquisas clinicas e experimentais
já começavam a ter como objelivo estabelecer condutas de
ordem técnica, englobando a execução de anastomose s
vasculares, os tipos de suturas mais convemenles, as texturas dos fios
utilizados nas anastomose s. as espécies de agulhas etc.
As contribuições da Escola Cirúrgica
de Lyon, na França. encabeçada por Jaboulay e, posteriormente,
por Morel e mais tarde. por Alexis Carrel. foram de valor expressivo e
inestimável para o avanço da cirurgia vascular nesta lase
inicial. A transferência de Carrel, de Lyon para os Estados Unidos
(Chicago), somado a sua parceria com Gutrie, dera
- Professor Assistente
- Professor Tilular
- Acadêmia de medicina
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