E exactamente no binómio eficácia versus isenção das complicações inerentes à sua utilização, que reside o problema fulcral.

Existem no mercado muitíssimo boas ligaduras e meias elásticas obedecendo às condições que acima enunciei (9), sendo talvez a meia que ao proporcionar uma pressão mais regular no tempo, não dependendo significativamente de quem a coloca e exercendo uma pressão suficiente em decúbito, aquela que ofereceria melhores condições para utilização em pós-operatório e/ou a longo prazo.

Relativamente a este problema e tomando como referência apenas o estudo da velocidade circulatória na veia femoral comum em decúbito, verificámos que para pressões idênticas, ter sido a meia, aquela que lhe provocou um aumento mais significativo e constante(4).

Relativamente aos graus de pressão, parece-me aceite que estes deverão ser ligeiros (menores ou iguais a 20/ 25mmHg) em pós-operatório imediato, porque são eficazes, melhor tolerados e com menor taxa de complicações(6).

Se a opção for pela ligadura (que é mais difundida), será necessário chamar a atenção que para a mesma ligadura, a pressão exercida depende do seu alongamento, do perímetro do membro e do número de enrolamentos efectuados, razões que justificam a utilização das ligaduras "graduadas", que no meu entender ajudaram a racionalizar "o empirismo" atrás referido(5).

Mas durante quanto tempo será necessário manter a compressão elástica?

Se a intervenção cirúrgica puder corrigir, como é desejável, a disfunção hemodinâmica em causa, não existe qualquer razão para sua manutenção para além do período habitual do edema pós-operatório.

No entanto, estamos em presença de uma doença evolutiva, dependente de diversos factores, podendo alguns deles ser controlados com a sua utilização, razões que poderão vir a aconselhar a sua manutenção a longo prazo.

MATERIAL E MÉTODOS

Para sabermos o que sobre estes assuntos pensam a maioria dos Cirurgiões Vasculares Portugueses, elaborámos um inquérito de 10 perguntas que distribuímos a 67 Cirurgiões representativos dos centros de maior renome no País (Anexo l). Obtivemos 49 respostas que analisámos recorrendo ao teste do qui-quadrado (análise de proporções relativas).

ANEXO 1

QUESTIONÁRIO
Compressão elástica na cirurgia das varizes essenciais: imediata e a longo prazo

 

Nome:_________________________________

l - Na cirurgia das varizes essenciais não complicadas dos M. inferiores com "stripping" utiliza sempre contenção elástica pós-operatória?

a) Imediata?

Sim ( ) Não ( )

b) A longo prazo?

Sim ( ) Não ( )

2 - E se utilizar outras técnicas cirúrgicas?

Sim ( ) Não ( )

3 - Qual ou quais o(s) método(s) de contenção que habitualmente prefere?

a) Ligadura elástica

Contenção ligeira (20 mmHg) ( )
Contenção forte (30 mmHg) ( )

b) Ligadura elástica

Ligeira ( )
Forte ( )
seguida meia C11 ( )
  C12 ( )

c) Meia elástica

Classe 1 ( )
Classe 2 ( )

d) Outro (Especifique se f.f.)

4 - Se assinalou na alínea b) na pergunta anterior, qual é o "timing"para mudança ligadura/meia?

5 - Durante quanto tempo após a cirurgia utiliza a contenção elástica?

6 - Para a suspensão de contenção elástica utiliza:
A. Critérios clínicos ( )
B. Critérios hemodinâmicos ( )
C. Ambos (especifique se f.f) ( )

7 - Tem experiência na utilização de ligaduras elásticas aos dois sentidos (transversal e longitudinal) e graduadas?

Sim ( ) Não ( )

8 - Já teve alguma complicação importante atribuível a contenção elástica? Qual/Quais?

Sim ( ) Não ( )

9 - Já teve alguma complicação tromboembólica após-cirurgia de varizes essenciais?

Sim ( ) Não ( )

10 - Quando utiliza a técnica de "stripping" fá-lo sob contenção elástica prévia?

Sim ( ) Não ( )
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