CADERNO DE PORTUGAL
CIRURGIA VASCULAR

COMPRESSÃO ELÁSTICA NA CIRURGIA DAS VARIZES ESSENCIAIS
REFLEXÕES ACERCA DE UM INQUÉRITO

JOSÉ DANIEL MENEZES*
ANTÔNIO GOUVEIA DE OLIVEIRA**
(*)Especialista de Cirurgia Vascular.
(**) Assistente de biomatemática.
Serviço de Cirurgia 3 do Hospital de S. José (Unidade de cirurgia vascular)
Departamento de Biomatemática da F.M.L.(H. Sta. Maria)

RESUMO

A utilização de compressão elástica no pós-operatório da cirurgia das varizes essenciais é hoje quase unânime, embora a escolha do seu tipo (ligadura/meia) grau de pressão (ligeira/forte) tempo de manutenção (imediato/longo prazo) e critérios e suspensão (clínicos/hemodinâmicos), sejam extremamente variáveis devido à inexistência de critérios bem definidos.

Seria ainda importante saber se a incidência de algumas das complicações pós-operatórias mais frequentes tais como: as dolorosas/isquêmicas, alérgicas e tromboembólicas estarão com ela relacionadas por má escolha ou aplicação.

Para ajudar a esclarecer algumas destas interrogações, elaborámos um inquérito (Anexo l), que enviamos a 67 Cirurgiões Vasculares Portugueses, representantes dos principais Serviços de Especialidade de todo o País.

A análise estatística das respostas permitiu-nos algumas conclusões que ajudaram a cumprir o objectivo deste trabalho.

Palavras-chaves - compressão elástica, cirurgia das varizes, complicações.


(1) - Os autores agradecem a todos os colegas que colaboraram na concretização deste trabalho, respondendo prontamente ao inquérito.

INTRODUÇÃO

A profilaxia do trombocmbolisrno, a diminuição dos hematomas, sufusões hemorrágicas e edema pós-operatório, bem como o necessário colapso venoso após escleroterapia, são as principais razões que justificam a utilização de compressão elástica após a cirurgia de varizes(6).

Mas qual o tipo e grau de pressão indicada na maioria dos casos, e durante quanto tempo deverá ser utilizada?

Para estas perguntas não existem respostas unânimes, porventura devido à escassez de informações e difusão do tema, ou mesmo à própria natureza e variabilidade da doença venosa, o que provoca um certo empirismo na sua utilização.

O estudo aprofundado das alterações físiopatológicas (macro e micro-circulatórias), induzidas pela utilização dos diversos tipos e graus de compressão elástica, e sua correlação com a clínica em pós-operatório, a profilaxia das complicações cirúrgicas ou atribuíveis a ela própria por má escolha ou aplicação, auxiliar-nos-ão a responder correctamente às perguntas anteriormente formuladas(12)

À luz dos conhecimento actuais, parece-nos incontestável que a compressão elástica a utilizar, deverá ter as seguintes características (1,2,3):

1 - Ser graduada e degressiva do maleolo à coxa.

2 - Exercer a sua pressão nos sentidos transversal e longitudinal, mantida no tempo, sendo a menor que cumpra os objectivos de sua utilização e isente o doente das complicações de uma pressão excessiva.

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