| A Sociedade
Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular tem demonstrado interesse
em saber como é o ensino da especialidade nas universidades brasileiras.
E de suma importância o entrosamento entre os integrantes dessas
instituições, especialmente para aprimorar e uniformizar
a orientação e formação técnico-científica,
além dos princípios éticos e morais que devem ser
essenciais e extremamente importantes aos especialistas. E fundamental,
evidentemente, a administração de cursos teóricos
atualizados, utilizando-se todos os recursos didáticos possíveis,
como vídeos e recursos audiovisuais, que facilitem o aprendizado.
Para que não haja acúmulo de informações,
que muito podem prejudicar os alunos, as avaliações devem
ser feitas periodicamente. Além disso deve haver um período
com acompanhamento de profissionais que transmitam os princípios
éticos e de respeito aos pacientes, bem como a formação
técnico-cirúrgica que são indispensáveis aos
especialistas.
A aproximação da Regional do Rio de
Janeiro, SBACV, com a UFF, foi feita inicialmente pelo Dr. Paulo Marcio
Canongia, que nos procurou para fazer pesquisa experimental de infusão
de soro através do corpo cavernoso peniano em cães e que
com muito prazer apoiamos. O intercâmbio cresceu, frutificou e,
juntamente com membros da Sociedade, promovemos em setembro de 1994 o
I Encontro de Trombose Venosa Profunda de Membros Inferiores e Embolia
Pulmonar no anfiteatro Argemiro de Oliveira do Hospital Universitário
Antonio Pedro, que foi um sucesso.
Estamos agora participando da Revista da Regional
com os artigos de revisão, resenha da história da cirurgia
vascular e resenha da anatomia e fisiologia cardiovascular. Um terceiro
artigo, que consideramos muito importante e de grande interesse científico
e prático se refere às Fístulas Arterio-Venosas Pélvicas,
que felizmente em nosso serviço obtivemos resultados muito positivos.
A união e aproximação entre
os especialistas da Sociedade e os professores das disciplinas nas universidades
só poderá trazer maiores entendimentos, que fatalmente nos
levarão a um futuro cada vez mais promissor.
É com muita satisfação que
nos congratulamos com a Diretoria da Regional -RJ pela iniciativa
de nos proporcionar a oportunidade de apresentar nossos trabalhos
em sua revista, assim como a aproximação entre
nosso serviço de Angiologia e Cirurgia Cardiovascular
(HUAP-UFF) com os membros de alto nível profissional
da nossa qualificada Sociedade.
Ciro Denevitz de Castro Herdy
Professor Titular da Faculdade de Medicina da UFF Doutor e Mestre pela
Universidade de São Paulo (USP) Pós-Doulorado ´Texas
Heart Institute´
Houston - USA
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Os avanços
tecnológicos da ciência médica, sobretudo nas últimas
décadas, têm nos permitido dizer que, hoje, a medicina pode
curar, aliviar e reabilitar em escala muito maior do que nos tempos passados.
Apesar disso, a cada dia vemos que os serviços de saúde,
mesmo aqueles mais simples, estão se tornando cada vez mais inacessíveis
à grande maioria da população, e os serviços
ditos mais sofisticados, produto desses avanços tecnológicos,
só atendem a uma parcela muito pequena da sociedade brasileira.
Em consonância com o modelo assistencial vigente,
os currículos da grande maioria das escolas médicas brasileiras,
senão da totalidade, vêm apontando para graduar médicos
voltados para a especialização e inclinados a permanecerem
nos grandes centros urbanos, ao invés de privilegiar a graduação
de profissionais de formação geral, capazes de prestar atendimento
primário, atendendo assim às necessidades da maioria da
população brasileira que se concentra na periferia de tais
centros e no interior do país.
A realidade social, cruel e dolorosa, com que nos
defrontamos, nos impõe, enquanto escola médica, a construção
de novos paradigmas na formação do profissional médico,
que apontem não só para a fundamentação teórico-científico-tecnológica
no campo da ciência médica biológica, mas também
para a fundamentação humanistica, que lhe permita ter a
compreensão e a real dimensão dos aspectos sociais que interferem
de modo crucial no processo saúde-doença.
Entendemos que cabe à escola médica
brasileira buscar mecanismos, sobretudo através de reformas curriculares,
para se contrapor ao "status quo" e, desse modo, interferir
nesse modelo assistencial cuja resposta à demanda social é
absolutamente inadequada.
O currículo novo da Faculdade de Medicina
da UFF ora em curso foi construído com uma vertente
prático-conceitual e um programa teórico-demonstrativo,
dentro do pressuposto de que, aliada ao conhecimento da ciência
médica enquanto ciência biológica, é
fundamental a compreensão dos determinantes históricos,
sociais e ideológicos do processo saúde-doença
e do estudo do meio ambiente, de modo a desenvolver no futuro
médico a capacidade de analisar, criticar e interferir
na realidade social conjuntural e no modelo assistencial hegemónico,
enquanto profissional de saúde.
Profª. Rosana Nobre M. Bittencourt Silva
Diretora da Faculdade de Medicina da
Universidade Federal Fluminense
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