juntamente com a inexperiência do examinador, as maiores causas de erro de diagnóstico. Como exemplo, as veias femoral superficial e poplítea podem se apresentar duplicadas, em 25% dos indivíduos(3).

Trombose Venosa Profunda

A trombose venosa profunda dos membros inferiores demonstra-se como uma patologia bem frequente, ocorrendo nos Estados Unidos 20 milhões de casos anuais(6), sendo dois terços silenciosas(7). Dentre as complicações mais sérias da trombose venosa periférica está a embolia pulmonar. A alta mortalidade a que está ligada deve-se ao diagnóstico tardio da doença tromboembólica. Apesar de a maioria dos êmbolos pulmonares terem a sua origem em tromboses dos membros inferiores, Serviu(8) mencionou a ausência de sinais clínicos de trombose em 60% dos casos derivados de trombes de veias profundas confirmados por autópsia.

Como o diagnóstico clínico muitas vezes é falho, tornam-se importantes técnicas complementares para melhor avaliação. A flebografia, exame contrastado e algo doloroso, tem sido o "padrão ouro", tendo como limitantes os casos de sensibilidade ao contraste, efeitos colaterais e, não raro, flebites em pacientes sem patologia prévia. Outras técnicas não invasivas, como a pletismografia, não apresentam a riqueza de detalhe e de definições permitidas pelo duplex-scan, nos aparelhos mais modernos.

A ecografia demonstra, na trombose venosa profunda completa, uma ausência de compressividade da veia, que, no caso de trombo recente, pode-se apresentar dilatada, e, em casos de trombose antiga, diminuída de calibre. O trombo antigo apresenta-se mais aderido, com maior consistência e textura heterogênea. O controle da recanalização realiza-se com o eco-color-Doppler, analisando-se, inclusive, as possíveis zonas de tromboses recidivantes.

A ausência de cor dentro de um vaso pode representar a trombose deste vaso, mas um ajuste inadequado do mapa de cores ou uma insonação incorreta pode criar resultados falsos. Faz-se importante a observação de colaterais, drenagens acessórias e duplicação de veias, as quais mudam o volume de sangue drenado e minimizam os sintomas.

A trombose de veias infrapatelares, quando isolada, algumas vezes se confude com hematomas surgidos de rompimentos venosos espontâneos (sindrome de Martorell, ou síndrome da pedrada). E comum encontrarmos o hematoma abaixo do ponto de dor original.

A densidade do trombo e o grau de aderência à luz da veia são esclarecedores para prognóstico do potencial emboligênico da trombose.

Com a recanalização da trombose, observaremos as lesões valvulares, que serão mais significativas quanto mais extensas forem as áreas de trombes. O refluxo ao color-Doppler é demonstrado com a inversão da cor durante as manobras de compressão proximal ou deValsalva. No caso de trombose parcial, dependendo do grau de comprometimento parietal e do volume, podemos não ter refluxo ou redução notória da ejeção com a compressão distal.

Outras patologias podem ser observadas durante o exame das veias tronculares profundas, como hematomas, hemangiomas, adenopatias, cistos de Baker, fístulas arteriovenosas e tumorações variadas. Com um PRF baixo, é possível fazer a suposição de uma neoplasia, ao observarmos uma hipervascularização em uma formação atípica.

Veias Superficiais

O estudo das veias superficiais com o eco-color-Doppler tem crescido nos últimos anos por uma série de razões: a escolha preferencial de veias para enxerto arterial, a valorização de varizes com tromboflebites como possível fonte emboligênica e o mapeamento cirúrgico para safenectomias. parciais ou totais, reduzindo a frequência de recidiva de varizes de grosso calibre.

A avaliação das veias superficiais tem como base o exame das safenas internas e externas, além de alguma tributária calibrosa, ou veias anômalas.

A safena magna é a preferida pelos cirurgiões vasculares e cardíacos quando a proposta é um enxerto autógeno. Sua extensão, a média do seu calibre e sua posição anatômica favorecem a enxertos "in situ", reversos ou "pontes de safena". Mais recentemente, a safena externa tem se mostrado uma boa alternativa para a falta da safena interna.

O mapeamento da safena interna inicia-se a nivel da junção safeno-femoral, descendo-se em corte transverso e longitudinal, por todo o seu trajeto(5). Os transdutores ideais são os de 7.5 MPIz e os de 10 MHz, estes últimos geralmente com vantagens. O curso da safena é marcado com um marcador indelével, sendo assinaladas as suas perfurantes, as quais serão ligadas. O diâmetro será medido periodicamente. relatando-se as variações.

O exame é realizado, inicialmente, com o paciente deitado e, posteriormente, de pé, se suas condições físicas o permitirem. Durante o exame empregamos as manobras de compressão proximal e distal e a manobra de Valsalva. A avaliação da safena parva segue os mesmos princípios da safena magna, sendo avaliada com o paciente de pé.

As variações anatómicas das veias superficiais são maiores que as das veias profundas, sendo que apenas em 67% dos pacientes encontramos um único tronco de safena, em todo o trajeto.(4)

A avaliação das veias superficiais para casos de recidiva de varizes tem sido valorizada principalmente para o estudo de perfurantes e varizes remanescentes a nível de croça e demais segmentos de safenas.

CONCLUSÕES

Com o advento do eco-color-Doppler, a fabricação de transdutores de alta resolução multifreqüenciais e o aprimoramento dos examinadores, estamos acompanhando um aumento da confiabil idade no duplex-scan como exame de primeira linha para as patologias venosas, gerando uma perspectiva promissora para o paciente e reduzindo a incidência da fatalidade, tal qual o eco-Doppler de carótidas proporciona hoje.

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