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INTRODUÇÃO
Os estudos das patologias venosas pelo eco-Doppler
têm-se mostrado mais difíceis que os arteriais, envolvendo
vários fatores, entre eles a maior variação anatômica,
a compressividade do vaso (que é fator diagnóstico, porém
frequentemente permite à veia "misturar-se" com os tecidos
adjacentes), a velocidade menor de partículas sólidas, lentifícando
o fluxo, paredes mais delgadas etc. Estudiosos do sistema venoso, entretanto,
vêm despertando para o interesse nesta técnica não
invasiva, a qual permite o diagnóstico mais seguro da trombose
venosa e, assim, de sítios emboligênicos, inapeamento das
veias no pré-operatório de safenectomia ou de uma escolha
adequada de enxerto autógeno.
A divisão do estudo em dois segmentos, superficial
e profundo, facilita a rapidez do exame, inicialmente direcionando-o para
o seu objetivo básico (esclarecer algo) e permitindo melhor utilização
dos transdutores e escalas adequados.
Características do Fluxo Venoso e Manobras de
Compressão
O fluxo venoso periférico, em geral, apresenta
cinco pontos característicos: é espontâneo, fásico,
cessa com a manobra de Valsalva ou compressão proximal, aumenta
com a compressão distal e é unidirecional(1).
A espontaneidade de fluxo é padrão
para o segmento fêmoro-popliteo e pode estar ausente nas veias intra-patelares(9).
Nas tromboses, parciais ou completas, pode haver perda da espontaneidade.
A fasicidade é a variação do
fluxo com a respiração. Nos membros inferiores, a intensidade
do fluxo diminui com a inspiração e aumenta com a expiração.
A DPOC e a dor abdominal pós-operatória que levam a um aumento
da pressão intra-abdominal podem inverter a fasicidade com os movimentos
respiratórios nos membros inferiores(2).
Ao fazermos a compressão distal
abruptamente, teremos, ao Doppler, um sinal rápido,
representando a aceleração das partículas
e a perviedade da luz venosa a jusante. Uma trombose parcial
irá reduzir a aceleração criada pela
compressão, enquanto uma trombose completa da luz fará
uma velocidade zero.
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A manobra de Valsalva ou a compressão proximal
proporciona uma mudança na intenção do sentido do
fluxo, a qual tem como oponente o fechamento das válvulas. Uma
insuficiência valvular gerará uma permissividade na inversão,
definindo um fluxo reverso, ou refluxo. O refluxo será tão
intenso quanto for o grau de lesão das válvulas e da dilatação
da parede da veia.
Veias Profundas
O estudo das veias dos membros inferiores deverá
ter início no segmento abdominopélvico, avaliando-se as
veias cava e ilíacas, seguindo-se para os segmentos distais.
A avaliação das veias supra-inguinais
pode ser feita com transdutores de 2,5 a 5MHz, dependendo do volume do
abdome, recomendando-se um preparo intestinal adequado. O paciente é
examinado deitado, podendo-se usar uma abordagem anterolateral para melhor
estudo das veias ilíacas (10). Encontramos fluxo espontâneo,
fásico com a respiração, com o color-Doppler preenchendo
os espaços venosos.
No exame das veias femorais, o paciente permanece
deitado, fazendo leve rotação externa da coxa. Para as veias
poplíteas. faz-se uma flexão do joelho com acentuação
da rotação externa (posição semelhante já
referida no exame arterial). A observação das veias infrapatelares,
usualmente mais difícil, é facilitada com o exame de baixo
para cima, localizando-se primeiro a artéria distal, para a qual.
via de regra, haverá duas veias. As veias musculares (soleares
e gêmeas) são relacionáveis com os seus grupos musculares
de origem.
As veias femorais apresentam fluxo espontâneo,
fásico com a respiração, espontaneidade esta que
vai se reduzindo gradualmente no sentido das veias infrapatelares. E satisfatória
a observação do segmento fêmoro-popliteo ou das veias
da panturrilha com transdutor de 5 MHz ou do tipo multifreqüencial
de 4 a 7 MHz. As veias distais são mais facilmente examinadas com
sondas de 7.5 a 10 MHz, sendo que o color-Doppler neste segmento tem uma
participação indispensável.
O rastreamento venoso com cortes longitudinais e
transversos com frequência oferece um exame seguro. Uma observação
mais demorada, podemos observar as válvulas e suas funções.
A variação anatômica das veias profundas são,
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