CURSO DE DOPPLER

VEIAS PROFUNDAS E SUPERFICIAIS DOS MEMBROS INFERIORES

Nostradamus Augusto Coelho

INTRODUÇÃO

Os estudos das patologias venosas pelo eco-Doppler têm-se mostrado mais difíceis que os arteriais, envolvendo vários fatores, entre eles a maior variação anatômica, a compressividade do vaso (que é fator diagnóstico, porém frequentemente permite à veia "misturar-se" com os tecidos adjacentes), a velocidade menor de partículas sólidas, lentifícando o fluxo, paredes mais delgadas etc. Estudiosos do sistema venoso, entretanto, vêm despertando para o interesse nesta técnica não invasiva, a qual permite o diagnóstico mais seguro da trombose venosa e, assim, de sítios emboligênicos, inapeamento das veias no pré-operatório de safenectomia ou de uma escolha adequada de enxerto autógeno.

A divisão do estudo em dois segmentos, superficial e profundo, facilita a rapidez do exame, inicialmente direcionando-o para o seu objetivo básico (esclarecer algo) e permitindo melhor utilização dos transdutores e escalas adequados.

Características do Fluxo Venoso e Manobras de Compressão

O fluxo venoso periférico, em geral, apresenta cinco pontos característicos: é espontâneo, fásico, cessa com a manobra de Valsalva ou compressão proximal, aumenta com a compressão distal e é unidirecional(1).

A espontaneidade de fluxo é padrão para o segmento fêmoro-popliteo e pode estar ausente nas veias intra-patelares(9). Nas tromboses, parciais ou completas, pode haver perda da espontaneidade.

A fasicidade é a variação do fluxo com a respiração. Nos membros inferiores, a intensidade do fluxo diminui com a inspiração e aumenta com a expiração. A DPOC e a dor abdominal pós-operatória que levam a um aumento da pressão intra-abdominal podem inverter a fasicidade com os movimentos respiratórios nos membros inferiores(2).

Ao fazermos a compressão distal abruptamente, teremos, ao Doppler, um sinal rápido, representando a aceleração das partículas e a perviedade da luz venosa a jusante. Uma trombose parcial irá reduzir a aceleração criada pela compressão, enquanto uma trombose completa da luz fará uma velocidade zero.

A manobra de Valsalva ou a compressão proximal proporciona uma mudança na intenção do sentido do fluxo, a qual tem como oponente o fechamento das válvulas. Uma insuficiência valvular gerará uma permissividade na inversão, definindo um fluxo reverso, ou refluxo. O refluxo será tão intenso quanto for o grau de lesão das válvulas e da dilatação da parede da veia.

Veias Profundas

O estudo das veias dos membros inferiores deverá ter início no segmento abdominopélvico, avaliando-se as veias cava e ilíacas, seguindo-se para os segmentos distais.

A avaliação das veias supra-inguinais pode ser feita com transdutores de 2,5 a 5MHz, dependendo do volume do abdome, recomendando-se um preparo intestinal adequado. O paciente é examinado deitado, podendo-se usar uma abordagem anterolateral para melhor estudo das veias ilíacas (10). Encontramos fluxo espontâneo, fásico com a respiração, com o color-Doppler preenchendo os espaços venosos.

No exame das veias femorais, o paciente permanece deitado, fazendo leve rotação externa da coxa. Para as veias poplíteas. faz-se uma flexão do joelho com acentuação da rotação externa (posição semelhante já referida no exame arterial). A observação das veias infrapatelares, usualmente mais difícil, é facilitada com o exame de baixo para cima, localizando-se primeiro a artéria distal, para a qual. via de regra, haverá duas veias. As veias musculares (soleares e gêmeas) são relacionáveis com os seus grupos musculares de origem.

As veias femorais apresentam fluxo espontâneo, fásico com a respiração, espontaneidade esta que vai se reduzindo gradualmente no sentido das veias infrapatelares. E satisfatória a observação do segmento fêmoro-popliteo ou das veias da panturrilha com transdutor de 5 MHz ou do tipo multifreqüencial de 4 a 7 MHz. As veias distais são mais facilmente examinadas com sondas de 7.5 a 10 MHz, sendo que o color-Doppler neste segmento tem uma participação indispensável.

O rastreamento venoso com cortes longitudinais e transversos com frequência oferece um exame seguro. Uma observação mais demorada, podemos observar as válvulas e suas funções. A variação anatômica das veias profundas são,

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