INFECÇÃO DE FERIDA CIRÚRGICA
EM OPERAÇÕES ARTERIAIS:
EXPERIÊNCIA DE 30 MESES
Serviço: Hospital do Servidor Público
Estadual - SP
Autores: Moraes, A; Cinelli, M; Gonzales, J; Grinbaum, R;
Viarengo, LM; Amorim, D; Durço, J
Descrever a ocorrência de infecção
de ferida cirúrgica (IFC) em pacientes submetidos a revascularizações
de membros inferiores e estudar possíveis fatores de risco associados.
Em um estudo prospectivo de 303 cirurgias realizadas
no período de janeiro de 1992 a junho de 1994, obtivemos retrospectivamente,
em 170 casos, dados relacionados à topografia da cirurgia, sendo
3% no segmento aorto-iláco-femoral, 59% no segmento fêmoro-poplíteo,
32% para artérias tibiais e 6% de enxertos extra-anatômicos.
Fizemos a relação com o quadro clínico segundo a
classificação de Fontaine, sendo esta amostra submetida
a análise estatística.
A infecção da ferida cirúrgica
foi classificada como superficial quando atingia pele e tecido subcutâneo;
e profunda, quando atingia Fascia, musculatura e enxerto (classificação
proposta pela CDC - Centers for Diseases Control). Procuramos relacionar
alguns fatores de risco com o aparecimento de IFC. Comparamos ainda a
IFC com o sexo, idade, duração da cirurgia e risco cirúrgico
(ASA).
Houve 43 casos (25%) de IFC, sendo 6 (3,5%) com comprometimento
do enxerto. Não houve correlação da IFC com a idade,
sexo, quadro clínico, risco cirúrgico e lesão trófíca.
A IFC é frequente em revascularizações
de membros inferiores, embora a infecção do enxerto seja
incomum. Não conseguimos demonstrar associação entre
os diversos fatores de risco e a infecção de ferida cirúrgica.
CONDUTA CONSERVADORA EM PRÓTESE
ARTERIAL INFECTADA
Serviço: Hospital Naval Marcílio
Dias - Rio de Janeiro - RJ
Autores: Adalberto Pereira de Araújo; Jackson Silveira
Caiafa; Eduardo Wemeck; Mauro Alpoim Freire;
Luiz Carlos Moreira da Rocha
A conduta de tratamento nas próteses arteriais
infectadas tem sido cirúrgica e consiste na ressecção
das próteses e colocação de outras derivações,
geralmente também protéticas e por via extra-anatômica.
Cirurgias repetidas, em tais casos, resultam em muitas complicações
e alta mortalidade (54 a 88%), com 60% de amputação. Vários
trabalhos publicados têm demonstrado que é possível
curar infecção em prótese arterial com tratamento
conservador.
Nosso grupo tratou seis pacientes com exposição
de próteses em região inguinal. Três do sexo masculino
e três do feminino. Em dois deles a exposição protética
era pequena e as culturas foram negativas, embora secreção
seropurulenta tenha sido removida várias vezes da superfície
da prótese. Nos outros quatro pacientes as próteses ficaram
amplamente expostas, com exposição também das anastomoses.
O período de exposição das próteses variou
de 30 a 300 dias. Nestes casos, as culturas foram positivas para Streptococcus
fecalis, Proteus mirabilis, Pseudomonas e Staphylococcus sp.
O tratamento com antibioticoterapia sistêmica
e local, pequenos desbridamentos e curativos diários, lavando-se
as próteses com substâncias antissépticas, permitiu
a cura da infecção e a cicatrização das lesões
em quatro dos seis pacientes. Dois dos quatro pacientes com ampla exposição
protética apresentaram hemorragia e tiveram a prótese substituída,
mas vieram a falecer. No follow-up de nove meses a quatro anos não
foi observada recidiva da infecção, e as próteses
mantinham-se pérvias. Conclui-se considerando que nem sempre é
necessário ressecar próteses infectadas, especialmente quando
o tratamento conservador demonstra sinais de progresso, e que as próteses
não são lesadas quando lavadas com soluções
antissépticas, mesmo que por centenas de vezes.
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