do presente caso, que se mostrou, de início, de difícil esclarecimento e problemático quanto à indicação cirúrgica, por se tratar de indivíduo jovem e totalmente recuperado de sua embolia cerebral. Em tal situação, o cirurgião tem que estar convicto da necessidade de exploração cirúrgica para passar ao paciente firmeza no momento em que a indica, principalmente em jovem assintomático e em atividade laborativa, propenso a recusar a indicação, como aconteceu no presente caso.

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1 ARNULF, G.: Pathologie et chirurgie des carotides, 1ª Edição, Paris, Masson et Cie. Editeurs, 1957.
2 BERGAN, J. J.; YAO, J. S. T.: Cerebrovascular insufficiency, 1ª Edição, New York, Grune & Startton Inc., 1983.
3 QUIÑONES-BALDRICH, W. J.: Asymptomatic carotid stenosis: observe. Operate or both? Seminars in Vascular Surgery, Vol. 2º l (March):4-11, 1989.
4 MOORE, W. S.: Surgery for cerebrovascular disease, 1ª Edição, New York. Churchill Livingstone Inc., 1987.
5 VEITH, F.: Current critical problems in vascular surgery, lª Edição, St. Louis, Missouri, E.U.A., Quality medical Publishers, Inc.1990.

COMENTÁRIO

O caso de paciente jovem acometido de doença oclu-| siva carotídca aterosclerótica é de ocorrência extremamente rara, daí a importância desta publicação. Chama a atenção, cm se tratando de processo atcrogênico em jovem, a ausência de fatores de risco, como fumo, hipertensão arterial, diabetes, hiperlipidemia e fatores genéticos familiares. Outro fato que se destacou também nesta publicação foi a falha do duplex scan cm demonstrar a lesão oclusiva de carótida, nesta eventualidade, que, como sabemos, tem uma sensibilidade superior a 97%, muito superior à avaliação angiográfica, segundo vários autores. Foi providencial, neste caso, a excelente definição angiográfica, por subtração digital, mostrando a lesão cstenótica da carótida interna. A imagem angiográfica correlaciona-se muito bem com o aspecto da placa descrita, em sua fase elástica, pouco fibrosada, antes que ocorressem os fenômenos degenerativos mais graves de lesão intimal e ou episódios de hemorragia intraplaca, embora já microulcerada. Este último episódio explica muito bem o acidente aterocmbólico ocorrido precocemcnte na evolução da placa, ainda com insipiente estcnose, outro aspecto extremamente raro. A cronologia da documentação do caso e, principalmente, a remoção cirúrgica das placas nas duas carótidas, foi decididamente providencial - em decorrência do evento atcroembólico prévio, já com efeitos lesivos sobre o cérebro-, com a finalidade de evitar novos acidentes.

Resumindo, trata-se de caso de ocorrência extremamente rara, muito bem estudado, com conduta exemplar no seu tratamento, e que os autores fizeram muito bem em nos brindar com sua publicação, como mais uma contribuição da escola do Hospital de Jacarcpaguá, que nós, de há muito, aprendemos a admirar.

Maldonat A. Santos
Chefe do Serviço de Cirurgia Vascular - HSE

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