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INTRODUÇÃO
Para que uma ereção ocorra,
é necessária a integridade psíquica e
orgânica, estando envolvidos os sistemas nervoso, vascular,
urológico e endócrino. Outras causas menos específicas
como estado físico geral, uso de drogas farmacológicas
ou de consumo etc., podem também comprometer a ereção.
É, portanto, importante que, nesse momento,
fique o conceito de que a impotência é uma síndrome
e que, por esse motivo, deve ser abordada, tanto no diagnóstico
como no tratamento, por uma equipe multidisciplinar, para maior compreensão
etiológica e melhor resultado terapêutico.
Nessa síndrome, a cirurgia vascular tem tido grande importância,
principalmente através da contribuição de pesquisadores
europeus, seja no diagnóstico ou no tratamento.
HISTÓRICO
"Quando o membro não se excita e nunca consegue
realizar o ato do coito é sinal de frigidez da natureza, mas quando
encontra-se excitado e ainda assim não consegue tornar-se ereto
é sinal de bruxaria"
Malleus Malleficarum, 14971
Com relação à impotência
de origem psíquica, a evolução terapêutica
foi grande. Enquanto na inquisição espanhola o 'bruxo' era
queimado na fogueira por trazer a cura ao paciente, hoje os pacientes
são levados à psicoterapia, e quando ela é bem indicada
e bem conduzida, os resultados são excelentes.
No território da cirurgia vascular, trabalhos
pioneiros como os de Wooten(2), 1903 - "Ligation of the dorsal vein
of the penis as a cure for atonic impotence", e de Leriche(3), 1948
- "The syndrome of trombotic obliteration of the aortic bifurcation"
começaram a mostrar possibilidades etiológicas venosas e
arteriais para a impotência, com alternativas cirúrgicas
para seu tratamento.
Foi, no entanto, o desenvolvimento técnico
da pletis-mografia noturna peniana, em 1966(4), permitindo o registro
gráfico de ereções noturnas reflexas que ocorrem
na fase REM do sono, o grande marco do estudo moderno da impotência,
sendo este o primeiro teste objetivo capaz de separar o contingente de
pacientes psíquicos dos orgânicos.
Hoje, diversos autores(5) concordam que há
um predomínio de causas orgânicas de cerca de 60%, e que
a maioria delas, cerca de 75%, é de causa vascular, venosa ou arterial.
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ANATOMIA DO PÊNIS
O pênis é constituído
de duas porções. Uma porção interna
perineal, que é sua raiz, e uma porção
externa, pendular, que é o seu corpo. A raiz do pênis
é a sua porção fixa, compreendendo dois
ramos e o bulbo. Cada ramo do pênis está inserido
na face inferior e interna do ramo isquiádico da bacia
e recoberto pelo músculo isquicavernoso. À medida
que se dirigem para a frente, aproximam-se do ramo contralateral
e unem-se na margem inferior da sínfise da pube. Daí
em diante são denominados corpos cavernosos do corpo
do pênis (Figura l).
O bulbo do pênis está localizado entre
os dois ramos. Superiormente está preso ao diafragma urogenital
e, inferior e lateralmente, recoberto pelo músculo bulbo-esponjoso.
A porção superior e posterior é perfurada pela uretra,
que tem continuidade para a frente, no seu interior. À medida que
o bulbo se dirige para adiante, torna-se menos volumoso e curva-se para
baixo, continuando como corpo esponjoso do corpo do pênis. O corpo
é a porção recoberta pela pele. Contém um
par de corpos cavernosos e o corpo esponjoso.
Os corpos cavernosos formam o dorso e os lados do
corpo do pênis. Na sua junção, deixam um sulco mediano
inferior onde está situado o corpo esponjoso. O corpo esponjoso
é mais delgado que o corpo cavernoso, mas sua porção
terminal se dilata para formar a glande, que está separada do corpo
do pênis por uma constrição, o colo da glande. Adjacente
ao colo, temos uma margem proeminente, a coroa da glande. Uma fenda mediana,
perto do ápice da glande, é o óstio externo da uretra.
No colo e na coroa temos pequenas e numerosas glândulas prepuciais,
responsáveis pela secreção sebácea chamada
esmegma, de odor característico.
ESTRUTURAS
1. Fascia superficial do pênis (Fascia
de Coités) - Constituída de tecido conjuntivo frouxo, algumas
fibras musculares lisas e sem gordura {Figura 2).
2. Fascia profunda do pênis (Fascia
de Buck) - É forte membranácea, pouco distensível,
e envolve os corpos cavernosos e o corpo esponjoso como uma bainha.
3. Túnica albugínea do corpo
cavernoso - Envoltório fibroso denso, que recobre os corpos cavernosos.
Suas fibras encontram-se no plano mediano, para formar o septo do pênis,
que é espesso e completo na raiz, toman-do-se mais fino na extremidade
e com soluções de continuidade através das quais
os corpos cavernosos comunicam entre si. Tem aproximadamente 2 mm de espessura
em flacidez e 0,5 mm em ereção.
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