Boletim de Angiologia e Cirurgia vascular
Órgão Oficial da Regional Rio de Janeiro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular Secretaria: Av. Venezuela, 131/509-510 CEP 20081-310 Rio de Janeiro - RJ
Tel: 2263-1625 Fax: 2263-4884 Internet: www.sbacvrj.com.br
E-mail: secretaria@sbacvrj.com.br Periodicidade Mensal Ano 16 Nº 75 Agosto 2002 Diretor de Publicações: José Amorim de Andrade
Vice-Diretor: José Carlos Mayall Redator Responsável: Ruy Portilho -Mat.12.490 Tiragem: 2.000 exemplares
Produção: Trasso Comunicação e Assessoria Ltda Av. N. Sra. de Copacabana, 1.059 sala 1.201 - Copacabana Rio de Janeiro-RJ 22060-000 Tel/Fax.: (21) 2521-6905 E- mail:trasso@easyline.com.br
Editorial
Para onde vai a Angiologia?
A quem interessa perpetuar o retrocesso?
Após uma simples assinatura, um grupo de médicos representando o CFM, a AMB e a Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM) resolveram acabar com a especialidade de Angiologia. Pela nova estrutura, a formação de profissionais que serão responsáveis pelos doentes vasculares será através da residência em "Angiologia/Cirurgia Vascular, tendo como pré-requisito dois anos em Cirurgia Geral". Dessa forma, torna-se praticamente impossível a formação de Angiologistas. A Angiologia é responsável pelo acompanhamento e tratamento clínico dos doentes vasculares. Cada vez mais se observa o avanço das técnicas no diagnóstico complementar, assim como o aprimoramento de substâncias que auxiliam no tratamento da doença vascular. É primordial que se formem profissionais com o perfil clínico para o acompanhamento dos pacientes vasculares, sem indicação cirúrgica, visando à prevenção e ao tratamento clínico, que requerem paciência e determinação.
Não podemos cercear os anseios de novos profissionais só porque estes não possuem perfil para ser cirurgião. A especialidade não é eminentemente cirúrgica, havendo doentes vasculares que em momento algum de sua evolução têm indicação de tratamento cirúrgico. Será um retrocesso esta nova determinação, na forma como está proposta, pois em vários países (Alemanha, Itália, Espanha, França e Estados Unidos, entre outros) existe a conscientização crescente da necessidade de formação de Especialistas em Angiologia, visando dar o desenvolvimento compatível com a evolução da Ciência Médica.
Aqui no Brasil, este projeto vai na contra-mão da educação médica, quando a formação do cirurgião precede a formação do clínico. Somando-se a isto, o colega que não tem aptidão cirúrgica, mas que gostaria de fazer a especialidade, se vê impedido, pois na pós-graduação será obrigado a fazer dois anos de cirurgia geral, mais dois anos de cirurgia vascular, para então abraçar a área clínica. Esta regulamentação foi feita de modo errôneo por colegas que não tiveram formação angiológica em sua graduação e, portanto, não conseguem entender o que é a Angiologia.
A formação de Cirurgiões Vasculares se faz através de residência médica credenciada pelo CNRM, em dois anos. Conseguir realizar, de modo eficaz, o treinamento em todas as técnicas cirúrgicas, angiografias e procedimentos endovasculares em dois (ou três) anos já é difícil. Agora, imaginem ainda ter que acrescentar mais 3.520 horas (tempo de duração da residência em Angiologia) para formar um "Angiologista/Cirurgião Vascular" que supra de modo eficaz as necessidades da população carente de profissionais nessa área ??!! Acredito que, por falta de interesse de nossos colegas cirurgiões (que são em maior número) professores de faculdades de medicina, associados a clínicos gerais e médicos de outras especialidades (reserva de mercado?), não houve implementação de residências médicas em Angiologia em outros estados, além do Rio de Janeiro e, até pouco tempo, no Paraná.
Aos colegas com formação cirúrgica e que têm algumas dúvidas sobre a importância da Angiologia como Ciência Médica, gostaria de esclarecer alguns pontos:
1. No Brasil, a origem da Angiologia teve como sede a Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, quando em 1938, Waldemar Berardinelli apresenta uma publicação intitulada "Semiologia Parvi-vascular". A partir desta célula, uma escola angiológica de grande importância viria a se desenvolver: a do Professor Sydney Arruda, que durante vários anos teve como base o Hospital Escola São Francisco de Assis. A história é longa e muito rica......
2. As fronteiras entre o clínico e o cirurgião na especialidade
À semelhança do que ocorre com outras especialidades nas quais há a concomitância da clínica com a cirurgia Cardiologia e Cirurgia Cardíaca, Neurologia e Neurocirurgia, Pneumologia e Cirurgia Torácica etc. na Angiologia também existe uma delimitação de campo entre o cirurgião e o clínico, mais no sentido da competência técnica do que propriamente na de restrição de atuação. Enquanto na formação do cirurgião o principal objetivo se concentra na técnica operatória, na realização de procedimentos diagnósticos e terapêuticos invasivos, como angioplastias, colocação de stents e de endopróteses na árvore arterial periférica, na formação do clínico é fundamental que o seu aprimoramento se faça visando a certeza no diagnóstico e o domínio no tratamento profilático, no tratamento clínico e dos métodos não invasivos. Para isso, noções básicas de Propedêutica Clinica, Medicina Interna, Hematologia, Cardiologia, Dermatologia, Reumatologia, Farmacologia, Fisiatria etc, são exigidas para o acervo de conhecimentos de um Angiologista, uma vez que o paciente vascular é cirúrgico somente em determinados momentos e, durante a maioria das vezes (ou por toda a vida), o seu tratamento é clínico.
3. O campo de ação do Angiologista
O diagnóstico de certeza é um dos pontos fundamentais da prática clínica. Por isso, deve o Angiologista aprimorar sua técnica de exame, conhecendo na intimidade os sintomas e sinais das doenças vasculares, correlacionando-os com a sua fisiopatologia. A esse respeito, na atualidade, a atenção dos Angiologistas está se voltando para as vasculites, enfermidades de limites pouco precisos entre a Angiologia e a Reumatologia, exigindo uma associação estreita com os Reumatologistas para que seja alcançado sucesso na solução de um caso específico de inflamação vascular, seja em grandes ou pequenos vasos. O mesmo ocorre com as tromboses, tanto arteriais como venosas, que, com a descoberta de novos estados trombofílicos adquiridos e congênitos, torna ainda mais complexo o diagnóstico e acompanhamento dos doentes portadores dessas anomalias, o que deve ser feito com critério.
A complementação do diagnóstico clínico por meio de métodos laboratoriais e instrumentais não invasivos também é um campo da especialidade que deve ser dominado pelo clínico, não só em relação à realização da técnica do exame como também na sua interpretação. Graças a isto, importantes avanços foram alcançados ao longo dos anos com a introdução de métodos modernos de investigação (duplex scan, pletismografia a ar, de impedância, fotopletismografia, videocapilaroscopia, citoscan, ergometria, etc) e vários resultados interessantes vêm sendo publicados, a cada dia, para esclarecimento dos Angiologistas e Cirurgiões Vasculares a respeito do comportamento da árvore vascular nas doenças. Esta é uma das áreas em que os Angiologistas atuam com segurança, pois está mais do que comprovado que um conhecimento prévio sobre o que se busca diagnosticar por instrumentos é sempre desejável para se diminuirem as possibilidades de exames incompletos ou de interpretações equivocadas dos resultados.
Por fim, o conhecimento seguro da terapêutica clínica, desde a farmacodinâmica dos medicamentos até suas indicações, contra-indicações, efeitos colaterais e interações, é exigido do clínico, pois é grande a lista de drogas que terá que utilizar para o tratamento das doenças vasculares e de suas complicações. A este respeito, estão na ordem de importância as drogas antitrombóticas (anticoagulantes e trombolíticos), hemorreológicas, venotônicos, corticosteróides, vasodilatadores (prostaglandinas, entre outras), cicatrizantes de uso tópico, uma vez que o tratamento as úlceras cutâneas de extremidades é campo de atuação de importância reconhecida para o Angiologista, que é o responsável (junto com o Dermatologista) pelo diagnóstico diferencial dessas lesões. Faz parte ainda da exigência na formação técnica do Angiologista uma apurada execução da escleroterapia, sem dúvida nenhuma um dos principais caminhos para o sucesso profissional e financeiro dentro da especialidade.
3. O Angiologista e o Cirurgião Vascular
O trabalho em conjunto dos dois especialistas é a forma ideal de se prestar assistência ao paciente vascular. É importante que se fixe a idéia de que ambos são competentes para lidar com as enfermidades vasculares ditas periféricas. O que pode diferenciá-los é que um tem por obrigação demonstrar sua competência dentro da área clínica e o outro deve ser bastante eficiente no campo operatório e intervencionista, embora dele também se devam exigir conhecimentos básicos para a realização do diagnóstico. A existência de um não exclui absolutamente a necessidade do outro, quando se desejar dar o melhor ao doente vasculopata, uma vez que, como já disse anteriormente, um grande número de patologias vasculares é de tratamento puramente clínico, não necessitando de procedimento cirúrgico em nenhum momento de sua evolução. Assim tem sido mostrado ao longo dos anos nas escolas de medicina onde coexistem os dois serviços que trabalham em colaboração.
Marilia Duarte Brandão Panico
Coordenadora da Disciplina de Angiologia FCM - UERJ
Cartas
São Paulo, 15/07/2002
Ilmos. Srs.
Dr. Paulo Marcio Canongia Presidente da SBACV-RJ
Dr. José Luis Camarinha do Nascimento Silva Diretor Científico da SBACV-RJ
Prezados Colegas,
Inicialmente, gostaria de paranabenizá-los pelo excelente programa desenvolvido no último Encontro Carioca de Angiologia e Cirurgia Vascular. Fiquei entusiasmado, principalmente com a feliz idéia de reunir na Mesa sobre Pé Diabético, representantes da Secretaria Municipal de Saúde, o Secretário Estadual de Saúde e um representante do Ministério Público. Foi genial, pois, dessa maneira, os mesmos puderam ouvir dos especialistas os descalabros que ocorrem no atendimento desses pacientes. Recebi ontem o Boletim da Regional do RJ e já constatei que a medida provocou alguns resultados práticos, que seguramente irão contribuir para ao menos atenuar esse atendimento.
Parabéns efusivos: é assim que se trabalha em benefício da coletividade.
Abraços do amigo
Emil Burihan
Opinião
O que vão fazer com a Angiologia?
Caros amigos,
Estamos vivenciando uma fase de profundas mudanças dentro de nossa especialidade.
Nós angiologistas, que fazíamos, quietos, somente a parte clínica, deixamos num piscar de olhos de ter uma especialidade reconhecida, um título que conseguimos após esforço de formações acadêmicas em residências, pós-graduações e aprovações em concurso para o tão importante Título de Especialista, e outros. Formamos agora um novo grupo: " Os sem-especialidade" .
O término da Angiologia como especialidade dentro da AMB decorreu de uma decisão de poucos, talvez possamos até contá-los nos dedos de uma só mão. São poucos profissionais, porém importantes, porque foram colocados como nossos representantes e admirados por nós, até então, pelo mérito profissional e capacidade de formar opiniões e tomar decisões tão importantes para o crescimento da nossa especialidade.
O que estes formadores de opinião esquecem é que, ao tomar resoluções pela coletividade, eles têm muita responsabilidade, pois estas resoluções, que parecem simplistas e inócuas, como a fusão das especialidades Angiologia-Cirurgia Vascular, estão acabando com uma delas, e, com isto, muitos colegas estão sendo prejudicados. Ou seja, o que parecia uma decisão sábia está sendo maléfica para muitos e isto está mudando o rumo das coisas. Exemplificando, podemos falar que as faculdades de medicina têm aulas de clínica no 4º ano e de cirurgia vascular no 5º ano. Isto poderia, é claro, ser substituído por um módulo só, não precisaríamos então mais da clínica, afinal, é tudo uma coisa só. Mas será que todos eles se interessam tão profundamente por casos clínicos (incluam-se aí vasculites, trombofilias, etc)? Alguns cirurgiões vasculares não gostam tanto assim da parte clínica e inclusive optaram por fazer somente o título de Cirurgia Vascular. Outra coisa, as residências em Angiologia agora têm como pré-requisito cirurgia geral...
Me digam, quem em sã consciência poderia fazer dois anos de cirurgia para fazer clínica.Ou seja, os hospitais universitários como o Pedro Ernesto e Clementino Fraga Filho, no Rio, não poderão mais ter residentes. O que acontecerá com estes serviços??? Morrerão também com o último professor sobrevivente? Será que não importam porque são poucos? Ouvi dizer que um dos motivos para que os nossos representantes optassem por acabar com a Angiologia na reunião com a AMB teria sido porque ela só existe no Rio de Janeiro e que todo cirurgião vascular é também angiologista. Será que todos os cirurgiões vasculares concordariam com o término da especialidade Angiologia? Pelo menos aqui no Rio temos uma convivência absolutamente pacífica, gostamos muito uns dos outros e duvido que eles optassem por isso. Vários deles já inclusive se pronunciaram num importante Forum virtual. Tenho certeza de que na maioria dos estados isto também é verdadeiro. Além do mais, preparamos vários angiologistas de outros estados e alguns de outros países. Fazemos isto porque gostamos da especialidade e sequer lucramos financeiramente com isto. Outras especialidades com características semelhantes à nossa não deixaram que isto acontecesse na AMB. Já imaginaram Cirurgia Cardíaca sem a cardiologia, a urologia sem a nefrologia? Seria estranho, não é mesmo?
Outro fato em que também não pensaram é que para a obtenção do título de Habilitação em Ecografia Vascular com Doppler precisamos do título de especialista. Todos os residentes de angiologia saem aptos a realizar com destreza o método. Mas como vão fazer agora os residentes que ainda não prestaram a prova de título e que são só angiologistas? Será que agora os cirurgiões vasculares vão querer deixar os centros cirúrgicos e fazer a ecografia? Ou será que os que realizam este exame, tão importante para a nossa especialidade, deverão fazer parte de uma outra ?
Talvez os residentes em Angiologia mais antigos devam ter direito a prestar concurso para o título de especialista. Como eles responderão na prova para a CV, quais as técnicas cirúrgicas, que fio utilizam, qual o órgão que se vê na cirurgia tal? Somos clínicos. Não precisamos, nem queremos saber isto. Simplesmente encaminhamos elegantemente o paciente já preparado e bem estudado para o cirurgião. Será que isto é ruim ?
Agora, cinco clínicas importantes nos Estados Unidos estão tendo somente angiologistas clínicos. Uma dela é a clínica Mayo. Será que agora que perceberam isto, nós, que já tínhamos, vamos realmente ter que nos conformar com o término da nossa ? Não me parece, no mínimo, justo. Conto com o bom senso e a colaboração de todos.
Carmen Porto
Diretoria Científica Calendário das Reuniões Científicas da SBACV-RJ 2002
436ª Reunião Científica da SBACV-RJ
14 e 15 de setembro de 2002
ILHA DE ITACURUÇA - COSTA VERDE
Local: HOTEL PIERRE
Organização: Dr. Adalberto Paulo Waack

Programação Científica
1. Angiografia calibrada no aneurisma de aorta abdominal: confirmação do comprimento pós-implante de endoprótese
Relator: Adalberto P. de Araújo
Autores: Cristiane F.A.Gomes, Atila Brunnet Di Maio, Fábio Monteiro Costa
2. Ecocolor-doppler no acompanhamento das endopróteses no aneurisma da aorta abdominal
Relator: Alessandra F.C.Lacerda
Autores: Arno von Ristow, Cleoni Pedron, Marcus Gress, Yunna Thomas
3. Úlcera de Marjolin Tratamento atual
Relator: Claudio Pitanga Marques
Autores: Celestino Afonso Martins, Eduardo Martins Filho, Marcos Carneiro Teixeira, Alessandro A. Teixeira
- Apto. Simples R$ 198,00
- Apto. Duplo R$ 242,00
- Crianças 0-4 anos livre
- 5-10 anos R$ 81,40
- 11-15 anos R$ 99,00
Os valores acima incluem: diárias; 10% serviços; todas as refeições
A organização solicita aos que desejam estar presente ao evento que já entrem em contato com a Secretaria. Tendo em vista o sucesso da última reunião fora de sede em Vassouras-RJ, estamos prevendo uma grande procura e, conseqüentemente, uma grande confraternização da nossa grande família vascular
Convênio UFRJ SBACV-RJ
Curso de Atualização em Angiologia e Cirurgia Vascular
O Curso de Atualização em Angiologia e Cirurgia Vascular, em convênio com a UFRJ, terá 40 módulos organizados pelos mais renomados angiologistas e cirurgiões vasculares da nossa Regional. Com início programado para 21/09/2002, será amplamente divulgado, assim que tivermos acertado local.
O programa está sendo minuciosamente elaborado e será abrangente. Desde já reservem os seus sábados todos os que farão o concurso para título de especialista em 2003, os residentes, os que pretendem, após a residência, complementar os seus conhecimentos e aqueles que gostariam de atualizá-los.
As aulas terão início no dia 21 de setembro de 2002 e as inscrições serão limitadas. Informações preliminares já podem ser obtidas com a Sra. Rosângela
Informangio
MERCADO DE TRABALHO
Em pesquisa que está sendo realizada pela Regional observamos que, dos 43 Municípios que responderam ao questionário, nada menos que 19 não contam com Angiologista e/ou Cirurgião Vascular em seus quadros públicos. São eles: Rio das Ostras, Silva Jardim, Queimados, São Fidélis, São Francisco de Itabapoana, Comendador Levy Gasparian, Rio das Flores, Japeri, Cordeiro, São Pedro DAldeia, Laje do Muriaé, Natividade, Paraty, Cardoso Moreira, Teresópolis (onde há Hospital Universitário), Porciúncula, Mangaratiba, São João da Barra, Paracambi.
Portanto, fica a lembrança, em especial aos mais jovens, de áreas em que poderão exercer a Especialidade.
CÂMARA TÉCNICA PARA DISCUTIR HONORÁRIOS MÉDICOS
Em reunião com a AMB, realizada em 23 de maio, a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) divulgou a criação de três novas câmaras técnicas: de Contratualização, de Assuntos Médicos e a Permanente. A Câmara Técnica de Contratualização será responsável pela regulamentação entre médicos e operadoras, abrangendo desde os contratos com usuários e autonomia médica até a discussão de honorários, o que contempla uma antiga reivindicação da AMB e do CFM. Já a Câmara de Assuntos Médicos terá como objetivo a discussão de assuntos como rol de procedimentos, hierarquização, doenças preexistentes, alta complexidade, entre outros. A Câmara Permanente, composta de forma paritária entre representantes da área médica, defesa do consumidor e planos de saúde, tem como finalidade encontrar um ponto de equilíbrio na tumultuada relação entre médicos, operadoras e usuários. (Fonte: Jornal da Somerj)
VAI SE TORNANDO UMA ROTINA A VOLTA DOS NOSSOS ESPECIALISTAS AO CONVÍVIO DA REGIONAL.
Desta feita recebemos com muita alegria o Dr. Francisco Victor de Toledo. Retornou ciceroneado pelo Dr. Adalberto, que diz o seguinte: "Trabalhei com o Dr. Toledo, sob sua chefia, por mais de vinte anos, no Hospital Naval Marcílio Dias, a quem tive a honra de posteriormente substituir. O Dr. Toledo é um dos esteios da cirurgia vascular em nosso país, além de um excelente anatomista e exímio desenhista. Não é por acaso que foi um dos criadores do logotipo de nossa Sociedade. É atualmente o responsável pelo Serviço de Cirurgia Vascular do Hospital São Victor."
DOCUMENTAÇÃO
A Secretaria continua aguardando o envio da documentação solicitada a alguns sócios, para que possamos completar suas fichas. Podem ser utilizados o fax: 2263-4884, e.mail: secretaria@ sbacvrj.com.br ou então via correio.
MINISTÉRIO PÚBLICO E PÉ DIABÉTICO
Continuam os desdobramentos em torno da questão já conhecida como LEGIÃO DOS AMPUTADOS. A nossa Regional foi convocada pelo Ministério Público para opinar sobre o "termo de ajuste de conduta" entre a Prefeitura do Rio de Janeiro e aquele Ministério, com o objetivo de minorar o sofrimento dos pacientes portadores de Pé Diabético. O documento produzido pelas autoridades municipais ligadas ao problema foi detidamente examinado em reunião especialmente convocada para este fim na sede de nossa regional. A reunião, dirigida pelo Presidente Dr. Paulo Marcio Canongia contou com a presença dos colegas: Ivan Arbex, Antonio Monteiro, Marcio Meirelles, Francisco Martins, Jose Amorim, Laerte Vaz, André Lacativa, Sergio Meirelles e considerou as soluções apresentadas pelo Município inconsistentes, insatisfatórias e elaboradas de forma evasiva e de pouca objetividade prática. Foi produzida uma resposta de nossa Sociedade ao Ministério Público com todos os comentários e sugestões pertinentes.
Eventos
-
Encontro Norte-Nordeste de Angiologia e Cirurgia Vascular - Avanços e perspectivas da Cirurgia Vascular
5 a 7 de setembro de 2002 Ponta Mar Hotel Fortaleza (85)241-3541 ciaeventos@ciaeventos.com.br
- Diagnóstico, tratamento e prevenção da trombose venosa profunda Serv. de Cirurgia Vascular da UFF Data: 18/09/2002 18 horas. Organizadores: Dr. Paulo Eduardo Ocke Reis (Chefe Serv.Cir.Vascular do HUAP) e Dr. João Baptista Thomaz (Prof.Assist.Cir.Cardiovacular da UFF). Local: Anfiteatro Argemiro de Oliveira HUAP Rua Marquês do Paraná,303 Centro Niterói (RJ). Inscrições com a Sra. Heloisa em 719-3609 (haverá coffee-break)
- XVI Annual Meeting of the European Society for Vascular Surgery
Istambul Turquia 26 a 29 de setembro de 2002
- ANGIOCARIBE 2002 - VII Congresso Caribenho de Angiologia e Cirurgia Vascular 21 a 25 de outubro Havana Cuba - Dr. José Fernández Montequín montequin@infomed.sld.cu
- VII Congresso Brasileiro de Flebologia e Linfologia
Mar Hotel - Recife B PE B 24 a 26 de outubro de 2002 www.mvm.com.br/flebolinfo - latache@assessor-pe.com.br
- 17th International Congress on Thrombosis
Bologna, Italy - 26-30 October, 2002 - Pallazzo dei Congressi - Bologna, Itália - info@thrombosis2002.it - info@oscbologna.come
- VII Panamerican Congress on Vascular and Endovascular Surgery
IV Panamerican Symposium on Vascular Echocolor-Doppler 6 a 10 de novembro de 2002 Hotel Glória - Rio de Janeiro (RJ)
Informações: Trasso Comunicação e Assessoria Ltda. Tel/Fax.: (21) 2521-6905 trasso@easyline.com.br www.trasso.com.br
Sorteio de um automóvel e de viagem à Costa do Sauípe entre os congressistas
Temas -Livres deverão ser encaminhados para a Trasso Comunicação em disquete e uma cópia impressa ou por e-mail, até o dia 10 de outubro
- Veith Symposium
Sheraton Hotel - Nova York B 21 a 24 de novembro de 2002
mmcnovmtg@dmstravel.com - www.veithsymposium.org
- XVII Encontro Regional de Angiologa e Cirurgia do Rio de Janeiro 21 a 23 de março de 2003 CBC Rio de Janeiro-RJ. Inf. Trasso Com. e Assesssoria Ltda. Tel: (21) 2521-69-05
Livros
"Cirurgia Vascular"
Ed. Carlos José de Brito Livraria e Editora Revinter Rio de Janeiro-RJ
Carlos José de Brito, o distinto cirurgião vascular brasileiro, terá um dia sonhado, qual Fernando Pessoa, realizar uma obra como aquela que foi dada à estampa e intitulada simplesmente "Cirurgia Vascular".
A materialização de uma idéia, pode corresponder, por vezes, a um ideal - e neste caso, atendendo à dimensão da obra, poder-se-á dizer que é um ideal de vida, que culmina uma vida bem sucedida como é a do seu autor, justamente considerada e reconhecida por discípulos, colegas e amigos, dentro e fora do seu país.
Quanto tempo terá decorrido da idéia à sua efectivação e se ela preencheu ou ultrapassou as suas melhores expectativas, só ele o poderá dizer e seria interessante ter a possibilidade de ouvir a sua opinião. Para nós, a quem a obra é particularmente dirigida, poder-se-á dizer que todo o tempo investido valeu bem e pena e que o seu resultado ultrapassou em muito as nossas melhores expectativas.
O que Carlos José realizou, foi efectivamente uma obra de vulto e de "peso", a julgar "ab initio" pelos seguintes indicadores: 1 editor, 4 editores-associados, 137 autores entre os quais 11 estrangeiros, 15 secções, 93 capítulos, 1.512 páginas e dois belos volumes, que dificilmente poderão dar a noção de quanto trabalho de concepção, coordenação, revisão, correcção, arranjo gráfico, montagem e impressão terá sido produzido por si e pelo seu grupo de editores associados, que inclui os nomes de Alberto Duque, Ivanésio Merlo, Rossi Murilo e Vasco Lauria F. Filho.
Todavia, logo na dedicatória, em que usa de palavras simples e generosas, mas firmes, tradutoras do seu proverbial rigor científico, Carlos José desvenda o "segredo": sem a desveleada contribuição de sua esposa Nazareth, nada feito. Ponto final. O que uma vez mais confirma a veracidade daquele aforismo de autor ignoto: ... "Por detrás de um grande homem, está sempre uma grande mulher"...; ou, como diriam mais prosaicamente os franceses: "cherchez la femme!"...
"Cirurgia Vascular" é uma obra notável, no sentido mais amplo do termo, extremamente valiosa nos planos científico, didático e cultural, como é possível constatar da sua leitura e observação atenta.
Com efeito, de um ponto de vista científico, encontra-se muito bem concebida e organizada e cobre exaustivamente todos os capítulos da cirurgia vascular contemporânea, nas suas principais vertentes arterial, venosa e linfática, abordando não só os aspectos essenciais do diagnóstico e terapêutica, mas também não descurando a patologia e a clínica.
Naturalmente que a diversidade e heterogeneidade dos autores se traduz por diferentes estilos e metodologias de apresentação e estruturação, mas em todos os casos se constata um excelente nível científico, actualizado e moderno, veiculado por um grafismo de elevada qualidade, que atinge porventura a sua maior expressão no diagnóstico imagiológico seja por eco-doppler colorido, seja por angioressonância ou angiotomografia e suas representações tridimensionais, de clareza e beleza insuperáveis.
"Cirurgia Vascular", é uma obra jovem mas já é um marco histórico; é também a expressão da pujança, vitalidade e energia criativa da angiologia e cirurgia vascular brasileira, que se coloca ao nível do melhor que se faz no Mundo. Muitos poucos países teriam a plena capacidade de realizar algo semelhante. Só não me atrevo a considerá-la como um "Rutherford de língua portuguesa" porque isso seria injusto e encomiástico para com o clássico livro de texto americano que sai, em minha opinião, diminuído com a confrontação.
Pelo seu didatismo e carácter exaustivo, ela serve quer o estudioso profundo quer o consultor ocasional, seja angiologista, cirurgião vascular ou cirurgião geral e por isso merece ser difundida em larga escala, não só nas comunidades de língua portuguesa, mas também daquelas que lhe são próximas, como é o caso dos médicos e especialistas de língua espanhola.
Existe um outro aspecto que desejaria salientar, a finalizar: A comunidade científica internacional, e não só a médica, vive como que "oprimida" por uma forma de "imperialismo" que é o domínio da língua inglesa, que obscurece, limita e até constrange a transmissão de idéias e conhecimentos expressos em qualquer outra língua, que não a inglesa. Mais uma razão para se saudarem efusivamente todas as iniciativas que possam contrariar a vigência daquele poder quase absoluto.
Por isso e por tudo o mais, resta-me apenas dizer: obrigado e bem-hajam Carlos José, Nazareth e editores associados e...
... Parabéns Brasil!!
A. Dinis da Gama
Prof. Catedrático de Cirurgia Vascular da Universidade de Lisboa, Portugal
Reproduzido da Revista Portuguesa de Cirurgia Cardio-Torácica e Vascular, Vol. 9, nº 22, pág. 63 |