Boletim de Angiologia e Cirurgia vascular
Órgão Oficial da Regional Rio de Janeiro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular Secretaria: Av. Venezuela, 131/509-510 CEP 20081-310 Rio de Janeiro - RJ
Tel: 2263-1625 Fax: 2263-4884 Internet: www.sbacvrj.com.br
E-mail: secretaria@sbacvrj.com.br Periodicidade Mensal Ano 16 Nº 71 Abril 2002 Diretor de Publicações: José Amorim de Andrade
Vice-Diretor: José Carlos Mayall Redator Responsável: Ruy Portilho -Mat.12.490 Tiragem: 2.000 exemplares
Produção: Trasso Comunicação e Assessoria Ltda Av. N. Sra. de Copacabana, 1.059 sala 1.201 - Copacabana Rio de Janeiro-RJ 22060-000 Tel/Fax.: (21) 2521-6905 E- mail:trasso@easyline.com.br
Editorial
Passadas as comemorações do Ano Novo e recuperados da letargia carnavalesca que anualmente adormece a nação, entramos acelerados no segundo trimestre de 2002 iniciando de fato um ano que promete muitas emoções.
Não só o calor prometido pelo El Nino como também o calor dos debates que já se iniciaram e que apontam para momentos de grandes decisões.
A SBACV, preocupada com o futuro da especialidade e com a qualidade do atendimento aos portadores de doenças vasculares, procura ocupar a arena tão avidamente disputada por outras especialidades cujos titulares provavelmente jamais tiveram a oportunidade de tocar com as próprias mãos em veias e artérias. Radiologistas e hemodinamicistas, sem nenhuma intimidade com o bisturi, se aventuram pelos territórios endovasculares. Nos países mais sérios eles esbarraram no óbvio: tinham que inserir no consentimento informado a necessidade da participação de um cirurgião vascular caso o procedimento tivesse que ser convertido em cirurgia aberta. Os pacientes preferiram dispensar os intermediários.
Em outra pista foi dada também a largada para a disputa de quem pode dar a quem um título de especialista O CFM, que pela Resolução 1286/89 "Resolve reconhecer ...a validade dos Títulos de Especialistas conferidos pela AMB...", parece reconhecer também que não abdicou do direito de conceder estes títulos. Está aberta a discussão.
Aqui no Rio de Janeiro, a até então adormecida Central Médica de Convênios, após generosa injeção de ânimos e verbas, desperta ruidosamente e promete nos acordar numa ação de marketing nunca antes deflagrada e, finalmente, iniciar uma nova relação envolvendo médicos, população e os incrédulos intermediadores da lucrativa assistência médica. Espera-se que a expressiva adesão dos médicos do estado (aproxima-se de 10 mil médicos) reflita um potencial coletivo que gere resultados concretos.
Está também iniciada a caça aos abusos éticos vinculados à publicidade médica, e os alvos são os arautos da propaganda enganosa vinculada ou não a milagrosas pomadas, espumas e equipamentos. É a indústria de tecnologias de aplicação médica recrutando e patrocinando médicos em flagrante deslize no terreno escorregadio dos conflitos de interesses.
Enquanto isto, as operadoras dos planos de saúde, atentas a todos os nossos passos e movimentos, mantêm congelados os honorários e aprofundam com competência cada vez maior as formas de controle do ato médico. Do outro lado deste balcão de negócios em que se transformou a saúde (ou a doença?) permanece a população espremida entre as operadoras de saúde sedentas de lucro e o SUS que está muito longe ainda de sair do papel. É neste universo turbulento que caminhamos. Se conseguirmos nos unir em torno de nossa Sociedade e de nossas Entidades maiores teremos alguma chance de encontrar cami-nhos mais seguros e prosseguir com a tranqüilidade que o nosso ofício exige.
Cartas
Abaixo resposta dada pela SBACV-RJ à consulta feita pelo SINMED referente à ação movida pelo
Ministério Público contra a Secretaria Municipal de Saúde.
Prezado Dr. Jorge Darze
A SBACV-RJ recebeu sua correspondência em 25 de fevereiro de 2002. Prontamente lemos, debatemos e fizemos nossas considerações.
De início, acreditamos estar subestimando o número de 196.659 diabéticos em nosso município. Para uma população de 5.850.544 habitantes registrados no censo de 2000, desprezando estatísticas anglo-saxônicas que não nos cabem e considerando nossa origem lusitana, devemos esperar que aproximadamente 7% da população geral sejam de diabéticos, o que daria uma previsão de 409.538 pacientes, o dobro da estimativa do SMS-RIO.
Para esta população, se 70% necessitam de serviço público para o seu tratamento, o Programa de Diabetes deveria estar oferecendo duas consultas/ano/paciente, que daria um total de 537.352 consultas/ano, número 4,69 vezes superior às 122.212 consultas feitas em 2000. Ainda nesta população, cerca de 35% devem ter alterações tróficas ou neurológicas nos pés, necessitando de um programa de atendimento profilático especial, exigindo quatro consultas por ano.
São louváveis os programas de dispensação de medicamentos e insumos atendendo às necessidades dos pacientes inscritos no programa, e a consciência de que o pé diabético é um problema à parte, que já naquela época movia ações há dois anos direcionadas à sua prevenção.
O projeto da SMS-RIO, em sua concepção é muito bom, mas, uma vez identificada a patologia na rede primária de atendimento, a Secretaria de Saúde tem dificuldade em dar seguimento na assistência a esse paciente, perdendo-se a oportunidade de se oferecer tratamento adequado, resultando, no fim da trajetória, na entrada deste num hospital de urgência, já com gangrena instalada. Os hospitais da SMS-RIO dispõem de Serviços de Cirurgia Vascular especializados e voltados para o atendimento de emergência, principalmente casos de trauma, que ocupam seus poucos leitos, faltando espaço até mesmo para receber as gangrenas, que se acumulam no repouso do Pronto Socorro.
Apesar da citação de que nos últimos dois anos diversas ações profiláticas haviam ocorrido, notamos nas estatísticas oficiais que o número de amputações cresceu neste período 41,7%, o que por si só demonstra a ineficiência das ações implementadas. Com satisfação observamos no mesmo quadro o aumento de 58,95% de cirurgias de revascularização.
Causa espanto a informação de que em nosso município não há praticamente nenhuma cirurgia feita em hospitais de convênio com o SUS. Seguramente esta é uma fatia que vem sendo desprezada, disponível, disposta e que muito poderia estar colaborando na solução do problema.
No quadro que sintetiza o "Programa de Diabetes Mellitus Atenção ao Pé Diabético", consideramos que no nível primário de atendimento o programa é muito bom, mas na prática ainda não funciona plenamente por falta de pessoal treinado para acompanhar os pacientes com lesão no pé. O nível secundário de atendimento não existe, porque quando algum paciente precisa ser referenciado para um parecer, ele já passa direto para os ambulatórios dos hospitais do nível terciário.
O nível secundário, se implementado, precisa se apoiar em núcleos de diagnóstico por imagem, da rede ou terceirizados, que disponibilizem a tempo e com qualidade exames de eco-color Doppler e arteriografias para identificação de lesões vasculares e planejamento das cirurgias de revascularização.
A reabilitação é uma etapa importantíssima, porque, após uma amputação, 1/3 dos pacientes morre em dois anos, 1/3 irá perder o outro membro em dois anos e 70% irão morrer em cinco anos. A reabilitação, em seu conceito moderno, deve começar no hospital, logo após a amputação. O Hospital Oscar Clark, para onde os pacientes são enviados, é insuficiente, atendendo com suas limitações a toda demanda municipal.
Sugerimos, por fim, a substituição, na ficha de curativo, da classificação de Wagner, a mais antiga, pela classificação mais recente e prática da SBACV.
Esperamos que as considerações feitas tenham atendido às suas expectativas e que municiem o Ministério Público de informações úteis, que resultem no melhor atendimento ao Pé Diabético.
Atenciosamente
Paulo Marcio G. Canongia
Presidente da SBACV-RJ
Diretoria Científica
Reunião Científica na Internet
A Reunião Científica de 26/03/2002, organizada pelo Dr. Gustavo Bertino, inaugurou a nossa primeira tentativa de transmissão ao vivo via Internet. Apesar das imensas dificuldades e de nossa ainda incipiente experiência em eventos com este formato, o passo inicial foi dado.
Os colegas de Volta Redonda (na foto) se prepararam com tudo o que tinham direito para a ocasião, contando inclusive com um telão para a transmissão da reunião. Seus esforços não foram ainda contemplados com o resultado esperado, uma vez que a transmissão se deu de forma descontinuada e lenta. O espírito comunitário e científico destes colegas emocionou os que estavam presentes no Rio de Janeiro. Valeu o teste. A Regional está tomando todas as providências para que tudo venha a dar certo e esta forma de educação continuada se torne uma rotina.
O Dr. Paulo Marcio Canongia agradeceu emocionado a participação dos colegas de Volta Redonda e espera que as próximas reuniões sejam também comungadas pelos especialistas das outras seccionais.
Ponto alto da Reunião foi também a readmissão de ex-sócios de conformidade com o programa administrativo da atual gestão. Leiam o depoimento do Dr. Ney Abrantes Lucas.
Reintegração de Especialistas na Sociedade
Ao receber as metas da atual gestão da Regional RJ me surpreendi com o cuidado que o Dr. Paulo Marcio Canongia havia tido quanto à presença de todos os que exercem a especialidade na "Casa dos Angiologistas e Cirurgiões Vasculares A Regional da SBACV". Arquivos foram revirados e encontramos muitos colegas que haviam deixado a Regional por motivos diversos e passamos à segunda fase da empreitada: convidá-los a retornar. O destino me reservou a alegria de ser o primeiro a trazer de volta duas profissionais, amigas de longa data, que prontamente aceitaram meu convite.
As Dras. Thereza de Jesus Magalhães e Isabel Pereira Franco retornaram ao convívio societário na última reunião científica. Da Dra. Thereza vem à mente lembranças dos bancos da Faculdade, quando tive a honra de ser seu aluno no serviço do Prof. Fernando Duque. Dentro da sua eterna humildade e simplicidade há uma cirurgiã vascular e angiologista de excelência.
(FOTO4)A Dra. Isabel, que conheci recentemente (mas nem tanto), em consonância com seu sobrenome mantém um permanente sorriso "franco", independente também da sua alta competência profissional. As duas, Thereza e Isabel, constituem uma dupla afinada profissionalmente e de apoio mútuo, já que grande é a amizade entre elas. Sejam muito bem-vindas e que possamos noticiar sempre o retorno de antigos sócios!
Reunião fora de Sede
Local: Vassouras Mara Palace Hotel
Período: 14 a 16 de junho de 2002
Check-in: 6ª feira para o jantar
Check-out e pagamento:domingo após o almoço (até às 15h)
Diária completa p/pessoa em apartamento:
Solteiro: 120,00
Duplo: 80,00
Triplo: 72,00
Reservas com a Secretaria da SBACV-RJ 2263-1625 ( Sra. Rosângela)
PROGRAMAÇÃO
6ª feira:
- Coquetel de boas-vindas
- Jantar dançante com música ao vivo
Sábado:
- Café da manhã
- Reunião científica no Salão de Convenções
- Recreação para os familiares
- Almoço tradicional feijoada ao som do piano
- City Tour Histórico e visita ao Museu Casa de Hera
- Jantar ao som do piano e, a seguir, saída para a cidade de Conservatória (por conta dos grupos) ou participação na FESTA JUNINA DO HOTEL.
Domingo:
- Café da manhã;
- programação livre;
- Almoço ao som do piano e check-out
Calendário das Reuniões Científicas da SBACV-RJ 2002
432ª Reunião Científica da SBACV-RJ
Hospital dos Servidores do Estado
Responsável: Dr. André Salomão Lacativa
1- Caso Especial
Relator: Dr. Ricardo Castro
Autores: Rodrigo Vaz Mello, João Florêncio, Laerte Vaz Mello e André S. Lactiva
Apresentação de paciente de 26 anos, portadora do vírus HIV, apresentou um aneurisma tóraco-abdominal, sintomático. Mostra a técnica e a tática utilizadas no procedimento cirúrgico de tratamento.
Objetivo: Como manusear os pacientes portadores de vírus de HIV, com doença vascular; Quando indicar o procedimento cirúrgico nestes pacientes; Proteção da equipe em relação à contaminação.
2- Normatizacão dos procedimentos vasculares e classificação das doenças vasculares mais comuns
Relator: Marcelo A. Lacativa
Autores: Laerte Vaz Mello, João Florêncio, Ricardo Castro, Rodrigo Vaz Mello e André S. Lacativa
O serviço mostra a rotina dos protocolos e a classificação utilizada nos procedimentos vasculares
Objetivo: Unificar a classificação e normatizacão dos procedimentos vasculares; Trocar informações reais com os demais Serviços no Rio de Janeiro sobre os procedimentos vasculares.
3- Ambulatório de pós-operatório vascular
Relator: Rodrigo Vaz Mello
Autores: Ricardo Castro, João Florêncio, Laerte Vaz Mello e André S.Lacativa
O Serviço de Cirurgia Vascular criou um ambulatório de pós-operatório. Mostra o resultado de avaliação de três anos dos pacientes operados, a rotina, a conduta e o diagnóstico das complicações pós-operatórias.
Objetivo: Mostra que a concentração dos pacientes em ambulatório pós-operatório permite maior experiência e evidencia as lesões mais incomuns.
433a Reunião 28/05
Hospital Quinta DOr e Beneficência Portuguesa
Dr. Arno von Ristow |
437a Reunião 24/09
FORA DE SEDE
Seccional Costa Verde
Dr. Adalberto Paulo Waack |
434a Reunião 25/06
FORA DE SEDE
Seccional Médio-Paraíba
Dra. Gina Mancini Almeida |
438a Reunião 29/10
Hospital Naval Marcílio Dias
Dr. Eduardo Werneck |
435a Reunião 30/07
Hospital Municipal Souza Aguiar
Dr. Rossi Murilo da Fonseca |
439a Reunião 26/11
Hospital da Lagoa
Dr. Carlos José de Brito |
436a Reunião 27/08
Hospital de Ipanema
Dr. Reinaldo José Gallo |
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